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07 novembro, 2009

Anorexia Nervosa e Bulimia: Distúrbios do Comportamento Alimentar

O que é?
A anorexia nervosa é um transtorno alimentar caracterizado por uma rígida e insuficiente dieta alimentar (caracterizando-se em baixo peso corporal). É uma doença complexa, envolvendo componentes psicológicos, fisiológicos e sociais.

O diagnóstico de anorexia repousa sobre alguns critérios essenciais:

-Perda de peso acentuada, superior a 15% do peso inicial;
-Aparecimento da patologia antes dos 25 anos de idade;
-Uma distorção implacável do comportamento alimentar;
-A ausência de qualquer outra patologia orgânica ou psiquiátrica;
-Um medo terrível de ganhar peso e de se tornar obeso.


Ainda segundo alguns investigadores é também importante juntar a estes critérios anteriores, a existência de, pelo menos, dois dos seguintes sinais:

-Amenorreia;
-Lanugo;
-Bradicardia (menos de 60 batimentos por minuto);
-Hipotermia;
-Hiperactividade física;
-Vómitos;
-Episódios bulímicos (em cerca de 1/3 dos casos). Infelizmente, o diagnóstico continua, em muitos casos, a ser estabelecido em presença de perdas de peso consideráveis, os primeiros sintomas passando despercebidos ou sendo até banalizados não só pelos doentes mas também pela família e pelos que os rodeiam.

A bulimia é uma desordem severa caracterizada por episódios de consumo desenfreado de comida e vómito provocado, associado com perda de controlo sobre a ingestão de alimentos e com uma preocupação enorme com a imagem corporal e o peso. Esta desordem acontece essencialmente em jovens do sexo feminino. Formas atenuadas deste tipo de comportamento podem acontecer em mulheres de peso normal.


Factores de risco

A anorexia habitualmente tem início na adolescência, mas pode ter início na infância ou, posteriormente, dos 20 aos 40 anos de idade.
Raparigas oriundas de meios socioeconómico-culturais mais elevados e diferenciados têm uma maior incidência desta perturbação. Têm muitas vezes características obsessivas, com tendência para o perfeccionismo intelectual. Frequentemente, outros membros da família já tiveram sintomas semelhantes.

Ocorrência de anteriores eventos traumáticos, como rejeição familiar ou abuso físico e/ou sexual, pode ser um factor de risco para desenvolvimento da doença.

Influência da comunicação social, em termos de definições de padrões estéticos baseados na magreza.

É comum a anorexia ter início nas vulgares dietas que as adolescentes fazem. O quadro avança para anorexia quando a dieta e a perda de peso subsistem até que a pessoa atinge níveis de peso muito inferiores aos esperados para a sua idade, perdendo a autocrítica sobre a situação.


Sinais e Sintomas

Na anorexia:
-Medo de engordar intenso e irracional;
-Negação quando questionado sobre o transtorno;
-Restrição da alimentação;
-Perda excessiva de peso (Peso corporal em 85% ou menos do nível normal) ;
-Prática excessiva de exercício físico;
-Os períodos menstruais tornam-se irregulares ou mesmo inexistentes.


Na bulimia:
-Medo de engordar;
-Alimentação compulsiva (incapacidade de controlar tais episódios);
-Peso normal;
-Os períodos menstruais tornam-se irregulares;
-Uso excessivo de laxantes e/ou indução do vómito.


Tal como as anorécticas, as bulímicas sofrem de um medo excessivo de ganhar peso mas, ao contrário das primeiras, normalmente estas conseguem manter o seu peso normal. Através da indução do vómito e do uso de laxantes, as bulímicas conseguem perder peso mas, por outro lado, têm episódios de alimentação compulsiva que não conseguem controlar (comem em pouco tempo vários pacotes de bolachas, chocolates, etc.). Depois destes episódios, a bulímica irá induzir o vómito e sentir-se-á muito culpada e deprimida. Surge, então, um ciclo vicioso e este padrão caótico de alimentação instala-se.


Diagnósticos

Quando ocorre marcada limitação a nível de calorias que são ingeridas, com uma restrição cada vez mais acentuada de alimentos até ao ponto de só serem ingeridas saladas, fruta ou vegetais, e, portanto, ter uma ingestão desequilibrada, a prática vigorosa de exercício físico, a tomada de comprimidos dietéticos e a provocação de vómitos devem ser vistas como sintomas claros de uma possível anorexia nervosa.

A anorexia mental pode ser considerada como moderada se o Índice de Massa Corporal (IMC) rondar os 17,5; severa se ele for inferior a 15 e critica se a anorexia se acompanha de um IMC à volta de 12,5. As complicações da anorexia mental podem ser ligadas ao desequilíbrio energético prolongado e ao estado de caquexia que se segue, mas também a episódios de vómitos repetidos, observados em 1/3 dos casos.

O quase desaparecimento do tecido adiposo, uma atrofia muscular considerável, uma pele seca acompanhada de problemas de microcirculação, acrocianose, lanugo disseminado e uma hipotensão arterial são alguns dos factores que contribuem para a gravidade da doença. Os edemas aparecem em casos extremos, acompanhados de hipoalbuminemia severa. Sob o ponto de vista biológico, sobretudo se existem vómitos, é importante pesquisar anemia ferripriva e hipokaliemia, porque o risco de morte se intensifica.


Tratamentos

É importante a noção de que a anorexia nervosa é difícil de ser tratada. Uma vez diagnosticada, o anoréxico passa por terapia individual ou terapia em grupo e eventual terapia familiar, em casos leves e moderados. A negação do problema é frequente e, por isso mesmo, o percurso pode ser longo para a sua recuperação. As recaídas são comuns. Em casos mais graves, o tratamento hospitalar é indicado.
A anorexia possui um índice de mortalidade alto, entre 15 a 20%, geralmente mata por paragem cardíaca, devido à falta de potássio ou sódio (que ajudam a controlar o ritmo normal do coração).

Existem alguns objectivos incontornáveis e intimamente ligados que se devem ter em conta aquando da abordagem e tratamento longo e difícil destes doentes:
-Obter um peso mínimo aceitável: IMC de 18,5;
-Obter aportes energéticos compatíveis com a necessidade de manutenção de peso;
-Obter um comportamento alimentar normal “sem medo e sem culpa”;
-Abrir portas mentais: direito à palavra, luta contra a angústia e a desvalorização de si, mas também contra o narcisismo e o perfeccionismo.

A fim de alcançar um peso mínimo normal seria importante obter do doente a concordância no preenchimento de um diário de registo alimentar para que o técnico de saúde possa avaliar o mais rigorosamente possível, qualitativa e quantitativamente, a ingestão alimentar quotidiana. Devem promover-se refeições com os amigos e com os familiares, sobretudos os menos ansiosos com estas situações, com os quais a doente poderá encontrar maior serenidade à volta de refeições simples e partilhadas.

Obesidade infantil é comportamental



Existe uma forte ligação entre a obesidade das mães e filhas e dos pais e filhos. No entanto, esta relação não existe entre os pais e filhas e entre as mães e filhos, sugere um estudo publicado na revista “International Journal of Obesity” .

O estudo revelou que mães obesas tinham um risco dez vezes maior de terem filhas obesas. Entre pais e filhos esta probabilidade era seis vezes maior. Contudo, nos dois casos, as crianças do sexo oposto não foram afectadas pela obesidade dos progenitores.
Para o estudo, os investigadores da Peninsula Medical School, em Devon, Reino Unido, monitorizaram o peso e a altura de 262 adultos e crianças, ao longo de um período de três anos.
Os investigadores constataram que 41% das raparigas de oito anos de idade cujas mães eram obesas também eram obesas, enquanto eram obesas apenas 4% daquelas cujas mães tinham um peso considerado normal. No caso dos filhos, a proporção de obesos não foi influenciada pela obesidade da mãe. Entre filhos, 18% daqueles que tinham pais obesos eram também obesos e só 3% dos que tinham pais com peso considerado normal eram obesos. Novamente, a proporção de raparigas obesas não foi afectada pela obesidade do pai.

Os investigadores liderados por Terry Wilkin, sugerem que a explicação para os resultados encontrados não tem origem genética, mas sim comportamental: as filhas tendem a imitar o estilo de vida das mães e os filhos dos pais. Face a estes resultados, Terry Wilkin defende que se deve apostar na reeducação das crianças por forma a controlarem melhor o seu peso.


ALERT Life Sciences Computing, S.A

Alimentação Infantil

Os Primeiros anos de vida


O 1º ano de vida é essencialmente um ano de aprendizagem de amor. É um ano de trocas de carinhos de afectividades de encanto pelo pequenino que faz parte da nossa vida e veio ocupar um lugar importante no nosso espaço.
É também um ano de muitas dúvidas de incertezas dos pais, que apenas desejam o melhor para o seu filho, principalmente no caso das mães e pais de "primeira viagem".

Neste sentido a 1ª mensagem, é que a Natureza é soberana e de certa forma devíamos deixá-la seguir o seu curso. Portanto nada de anseios e de pressas para o bebé.

Pelos menos metade do 1º ano a criança deve passar ao peito da mãe, e nesse acto não é só o leite que se oferece ao bebé, são todos os nutrientes necessários (e o mais fantásticos é que são específicos de cada mãe para o seu filho ou filha ), são todas as defesas que aquela criança necessita, mas acima de tudo é a forma mais íntima entre mãe e filho é o momento especial de carinho de afecto e de contacto que cria um laço eterno.
Ao fim dos 6 meses de aleitamento materno, é chegado o momento de se iniciar a alimentação diversificada. Não deve existir uma tabela igual para todas as crianças. Cada criança é um caso e o técnico superior de saúde especialista em alimentação infantil deve ter o cuidado de ouvir a mãe e de lhe dar dicas e orientações.
Algumas delas incluem:


- Para o caso em que se descontinua o aleitamento materno, dar as fórmulas adaptadas. Sem ficar ansiosa por escolher os leites hipoalergénicos, pois podem não ser a melhor opção para o seu bebé. Escolha sempre aquele que o pediatra ou nutricionista recomendar.

- Além do leite, fixar a norma que o alimento em natura é 10 vezes superior ao processado. As sopas caseiras, não são as sopas de boiões, a fruta não é igual aos boiões de fruta. Fazer a sopinha em casa, não custa nada demora pouco tempo;

- A Sopinha de legumes deve ser preparada, inicialmente com os "legumes brancos" como a batata, a abóbora, o arroz, a cenoura , a couve flor, depois a couve-branca, batata doce e depois os "legumes verdes" (espinafres, feijão verde, brócolos, alface, etc...);

- As sobremesas do almoço e jantar devem ser de fruta (maçã, a pêra, banana) não devem ser lácteas. No lanche os iogurtes são uma boa opção e devem ser iniciados antes do leite de vaca, aliás encoraja-se a prolongar as fórmulas adaptadas até aos 24 meses;

- As farinhas também podem ser iniciadas mas com alguma cautela para não dar energia a mais do que a criança necessita e isto não substitui uma fruta;

Até ao ano a criança esteve com diferentes texturas e sabores, foi estimulada a mastigar e a partir do ano para iniciar uma alimentação normal.
Daí para a frente a alimentação é uma aventura que deve ser controlada pelos pais. Não deve ser forçada, mas controlada.
Ensinar a comer significa calma e paciência por parte dos pais, sem anseios e se houver períodos em que haja menos apetite, NUNCA, substituir a falta de apetite por bolachas ou guloseimas que não os alimentam. Isso é uma óptima estratégia para que a criança comece a fazer chantagens emocionais e se estabeleçam batalhas de trocas.
Os pais devem relaxar nesses momentos, devem deixar a criança comer ao seu ritmo. Fazer do momento da refeição o momento agradável.
Principalmente nos dias que correm hoje onde a diversidade de ofertas de embalagens (e não alimentos) a escolha alimentar para um criança é terrível e confusa.
Optem sempre pelos os alimentos em natura.
Saibam que a preparação de uma refeição infantil é rápida, pois não tem muitos temperos nem muitos graus de confecção.


A partir dos 3 anos

De um modo geral alimentação de uma criança a partir dos 3 anos deve conter:

» 6-9 porções de de fruta, legumes, pães e cereais, leguminosas (ervilhas, grãos, feijões) em forma de sopa, saladas, cruas ou cozidas, sumos;
» 2-4 iogurtes por dia ou ½ l de leite;
» 2 a 4 porções de carne/peixe, ovos;
» Usar moderadamente gorduras (como manteiga, margarina, e fritos) optar pelo azeite que ainda faz parte da nossa dieta mediterrânica e evitar açúcares, sal e farinhas refinadas;

31 outubro, 2009

Quando procurar ajuda médica



Nem todas as crianças, que têm uma forma mais redonda, têm excesso de peso ou obesidade. Algumas crianças, tal como os adultos, têm uma estrutura óssea mais larga. As crianças normalmente também têm uma distribuição diferente da gordura corporal, durante os vários estádios de desenvolvimento. Assim, não se pode só olhar para o aspecto da criança, mas antes, deve-se avaliar se o seu peso é saudável. Quando os pais se apercebem que a criança está a ganhar mais peso do que o normal, devem falar com o médico de família ou com um nutricionista. Este, pode dar-lhe a informação necessária, após o conhecimento da história individual e familiar, bem como dos hábitos diários da criança. Pode também, esclarecer quanto ao correcto crescimento e desenvolvimento da criança. Esta avaliação individualizada, ajuda a avaliar se o peso da criança é indicador de problemas de saúde.

Factores de risco da obesidade infantil



Muitos factores, que normalmente actuam em conjunto, contribuem para o risco de as crianças adquirirem um peso excessivo:

Dieta – O consumo regular de alimentos muito calóricos, doces, snacks e muitos dos produtos contidos nas máquinas de venda automática, contribuem para o ganho de peso. Também alimentos com muita gordura e algumas bebidas ricas em açúcar, são muito calóricos e vão contribuir para uma ingestão excessiva.

Sedentarismo – A falta de exercício nas crianças, contribui para o ganho de peso, uma vez que não há aumento dos gastos diários. As actividades de lazer sedentárias, como ver televisão ou jogos no computador contribuem para este agravamento.

Genética – Se os familiares da criança já têm problemas de excesso de peso, pode haver uma predisposição genética para este ganho de peso. E, especialmente se a criança estiver num ambiente com oferta de alimentos muito calóricos e, onde a actividade física não é encorajada.

Factores psicológicos – Algumas crianças comem demasiado como forma de superar os problemas ou, para lidar com as emoções, como o stress ou a tristeza. Normalmente, os familiares também têm estas tendências.

Factores familiares/ Sociais – A maioria das crianças não vai às compras com os pais. Como tal, os pais são os verdadeiros culpados por haverem alimentos menos saudáveis nas prateleiras da cozinha e pelos alimentos que as crianças levam para os lanches na escola. Não se podem culpar as crianças, por ingerirem guloseimas, alimentos gordos e salgados, se estes alimentos estiverem sempre presentes e acessíveis. Mas, é possível que os pais controlem o acesso das crianças a estes alimentos, especialmente em casa.
Certamente que muitos destes factores contribuem para o desenvolvimento de obesidade infantil. Por exemplo, crianças de menor idade ou de famílias com baixos redimentos, têm maior risco de se tornarem obesos. Pobreza e obesidade estão frequentemente associadas, devido aos baixos salários, que não dão tempo nem possibilidades de fazer uma alimentação saudável e, onde o exercício não é prioridade.

Causas da Obesidade infantil



A obesidade infantil pode surgir, por factores hormonais ou genéticos. Contudo, a causa mais frequente para o ganho de peso é a ingestão alimentar excessiva e, a falta de exercício físico. Se as crianças consumirem mais calorias do que o seu gasto diário, com as actividades físicas normais, vão ganhar mais peso do que o recomendado.

Obesidade Infantil



O comportamento alimentar e um estilo de vida saudável são importantes para perceber como vemos, sentimos e valorizamos o estado de saúde. Fazer escolhas alimentares inteligentes, tão cedo quanto possível, contribui para reduzir o risco de certas doenças, como obesidade, doenças cardíacas, hipertensão, diabetes, alguns tipos de cancro e osteoporose. A epidemia da obesidade é especialmente evidente nos países industrializados, onde a maioria das pessoas tem um estilo de vida sedentário e, cuja ingestão alimentar se baseia em produtos de conveniência, que são tipicamente ricos em calorias e pobre em valor nutricional.

Como saber se as crianças estão a ganhar o peso normal e quando se considera obesidade infantil?
As crianças necessitam de nutrientes e calorias extra, para um correcto crescimento e desenvolvimento. Se consumirem apenas a quantidade calórica que necessitam para as actividades diárias, crescimento e metabolismo, estão evoluir de acordo com o seu percentil de massa corporal. No entanto, as crianças que ingerem mais calorias do que necessitam, ganham mais peso do que o desejado e que se vai acumulando. Nestes casos, o ganho de peso aumenta o risco de obesidade e os problemas relacionados.
A obesidade infantil é particularmente preocupante devido a uma série de complicações crónicas que se desenvolvem até à fase adulta, como a hipertensão, diabetes e colesterol. Uma das estratégias no combate do excesso de peso das crianças é o cuidado com a alimentação e o aumento do exercício físico e, para toda a família. Assim, contribui-se para proteger a saúde das crianças (e da família), agora e no futuro.